Como fazer a introdução da redação do ENEM, com 6 modelos no mesmo tema

A introdução da redação do ENEM ocupa de 4 a 6 linhas e tem duas funções: contextualizar o tema e apresentar a tese. O melhor formato anuncia, ainda no primeiro parágrafo, os dois argumentos que serão desenvolvidos — é assim que as dez redações nota 1000 comentadas pelo Inep abrem o texto.

Atualizado em 18 de agosto de 2026 · 7 min de leitura · Agora Passei

Como fazer a introdução da redação do ENEM, com 6 modelos no mesmo tema — Máquina de escrever em exposição
Foto: Marcin Wichary / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O que a introdução precisa ter?

Duas coisas, e só. Contextualização: situar o problema, mostrando ao leitor que existe uma questão real ali. E tese: a frase que diz, sem rodeio, o que você vai defender no texto inteiro.

Há uma terceira, opcional e muito rentável: anunciar os dois argumentos. A Cartilha do Participante avalia na Competência 3 se dá para identificar um projeto de texto na sua redação. Um primeiro parágrafo que termina apontando as duas causas que serão discutidas torna esse projeto visível já na quinta linha.

Seis modelos de introdução no mesmo tema

Todos os exemplos abaixo abrem o tema de 2025, “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. Usar o mesmo tema é de propósito: assim dá para comparar os modelos entre si, e não o assunto de cada um.

1. Introdução por repertório de obra ou autor

Abre com uma referência cultural e imediatamente a traz para o problema. É a mais usada nas redações nota 1000 — e a mais arriscada, porque vira repertório de bolso se a citação não for explicada.

Em “Quarto de despejo”, Carolina Maria de Jesus registra o cotidiano de quem a sociedade prefere não enxergar. A mesma invisibilidade descrita pela autora alcança hoje a população idosa brasileira, mantida à margem das políticas públicas e do mercado de trabalho. Esse cenário se sustenta pela precariedade da rede de cuidado e pelo etarismo naturalizado.

2. Introdução por contexto histórico

Compara passado e presente. Funciona bem quando o problema tem raiz identificável — e evita a armadilha do “desde os primórdios da humanidade”, que não contextualiza nada.

A Constituição de 1988 inaugurou no Brasil a ideia de que o Estado deve amparar a pessoa idosa. Quase quatro décadas depois, o país envelhece mais rápido do que a sua rede de proteção se organiza. Esse descompasso decorre da insuficiência dos serviços de cuidado e da persistência do preconceito etário.

3. Introdução por dado estatístico

A mais direta e a mais difícil de contestar. Exige um número que você lembre com precisão — número aproximado inventado enfraquece o parágrafo inteiro.

O Brasil atravessa a transição demográfica mais rápida de sua história: a proporção de pessoas com 60 anos ou mais cresce a cada Censo, enquanto a taxa de natalidade cai. O país, porém, chega a esse ponto sem infraestrutura de cuidado, o que se explica pela escassez de serviços públicos especializados e pela sobrecarga imposta às famílias.

4. Introdução por comparação

Contrasta dois cenários — o ideal e o real, ou o Brasil e outro país. Cuidado com o recorte: quando o enunciado delimita “no Brasil”, a comparação internacional precisa voltar ao Brasil na mesma frase.

Enquanto países como o Japão reorganizaram cidades e serviços para uma população majoritariamente idosa, o Brasil envelhece sem adaptar o que já tem. A diferença não é de tempo, mas de planejamento: faltam aqui uma rede de cuidado estruturada e uma cultura que reconheça valor social na velhice.

5. Introdução por definição

Define o conceito central do tema e usa a definição para delimitar o recorte. É a mais segura para quem trava na hora de escolher repertório, porque o conteúdo vem do próprio enunciado.

Envelhecer é acumular tempo, memória e trabalho — mas, na organização social brasileira, envelhecer também significa perder espaço. Essa contradição entre o que a velhice representa e o que a sociedade oferece a ela é sustentada pela ausência de políticas de cuidado e por um mercado que descarta o trabalhador mais velho.

6. Introdução por alusão a lei ou norma

Abre com o direito garantido e mostra a distância entre a lei e a prática. Encaixa em quase todo tema do ENEM, porque quase todo tema do ENEM é um direito que não se cumpre.

O Estatuto da Pessoa Idosa assegura atendimento preferencial, transporte acessível e proteção contra qualquer forma de negligência. Na prática, o envelhecimento no Brasil segue marcado pelo abandono, resultado da falência da rede pública de cuidado e da invisibilidade social imposta a esse grupo.

Erros que derrubam a introdução

ErroPor que custa pontoCorreção
“Desde os primórdios da humanidade…”Não contextualiza nada e sinaliza texto decoradoComece pelo problema concreto, no Brasil, hoje
Repertório na primeira linha, soltoÉ o padrão do repertório de bolso descrito pelo InepTraga a referência para o problema na frase seguinte
Tese que repete o temaSem posicionamento não há defesa de ponto de vista (Competência 3)Aponte causas ou consequências específicas
Pergunta retórica no lugar da tesePerguntar não é defenderResponda a própria pergunta e transforme a resposta em tese
Introdução de 10 linhasCome o espaço dos desenvolvimentos, onde estão os argumentosCorte para 4 a 6 linhas
Anunciar três ou quatro argumentosEm 30 linhas não cabe desenvolver todosDois argumentos, um por parágrafo

Como escrever a introdução em três minutos

  1. Escreva a tese primeiro, mesmo que ela seja a última frase

    A tese é o destino do parágrafo. Definido o destino, a contextualização vira só a rampa de entrada — e você para de escrever em círculos.

  2. Escolha a porta de entrada pelo que você realmente sabe

    Se você lembra o número, use dado. Se lembra o livro, use repertório. Se não lembra nada com precisão, use definição: ela nunca falha e não expõe você a erro factual.

  3. Feche anunciando os dois argumentos

    “Isso decorre de X e de Y.” Essa frase costuma valer mais que todo o resto da introdução, porque é ela que revela o projeto de texto.

  4. Confira se dá para entender sem ler a proposta

    A Cartilha alerta: a redação precisa ser compreendida por quem não teve acesso ao enunciado. Se o seu primeiro parágrafo só faz sentido para quem leu os textos motivadores, ele ainda não está pronto.

Depois da introdução vem a parte que sustenta a nota: os desenvolvimentos. A lógica de cada parágrafo está no guia da redação do ENEM, e o critério de organização, em Competência 3.

Perguntas frequentes

Quantas linhas deve ter a introdução da redação do ENEM?

De 4 a 6 linhas, considerando o total de 30 linhas da folha. Introdução longa demais rouba espaço dos desenvolvimentos, que é onde os argumentos são avaliados.

A tese fica no começo ou no fim da introdução?

No fim, na maioria dos casos. Você contextualiza e fecha o parágrafo com a tese, que serve de ponte para o primeiro desenvolvimento.

Posso fazer pergunta na introdução da redação?

Pode, mas ela não substitui a tese. Se a introdução termina em pergunta, o avaliador fica sem saber o que você defende — e a Competência 3 avalia justamente a defesa de um ponto de vista.

Preciso citar um autor logo na primeira linha?

Não. Citação na primeira linha, antes de o problema aparecer, é o formato mais associado ao repertório de bolso. Funciona melhor introduzir o problema e trazer a referência para sustentá-lo.

Fontes

Versão em texto puro desta página, para leitura por ferramentas de IA: /blog/md/como-fazer-introducao-de-redacao.md

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